Eu e a minha tiroide: do nódulo à operação

 Há muito, muito tempo... 😁

Sim, há cerca de 25 anos, numa consulta de rotina de ginecologia, a médica achou que deveria fazer análises e uma ecografia à tiroide.

Qual o motivo? Julgo ter sido pelo facto de transpirar muito das mão  e dos pés (hiperidrose), mas não posso dar a certeza. Vivo com esta condição desde que me conheço e estou bem adaptada à mesma.

Das análises, veio tudo impecável. TSH, T4, T3... tudo dentro dos valores de referência, como sempre tive até hoje. A tiroide nunca mostrou qualquer sinal anómalo neste campo, pelo menos que me tenha sido dado a conhecer.

 Já a ecografia mostrava a existência de um nódulo.

Ao longo dos anos tive de acompanhar a sua evolução e fazia ecografias de 2 em 2 anos, volta e meia uma biópsia e estava tudo sempre bem.

Nódulo de cerca de 2 cm, mais coisa, menos coisa, citologias sempre impecáveis.

Sabe-se que grande parte da população tem nódulos na tiroide, que desconhece por não darem quaisquer sintomas. Maioria é pacífica e benigna, podendo ficar assim o resto da vida.

Na última ecografia que fiz, a médica sugeriu que fizesse uma biópsia, pois tinha crescido e era melhor controlar. Disse ainda que não estava vascularizado, bom sinal (!), pois teria assim uma boa amostra, de certeza.

Assim fiz e marquei biópsia. Fiz na CUF, com a drª Leonor Fernandes, cuja simpatia e conhecimento facilitou a forma como encarei todo o processo.

Lá fiz a "citologia esfoliativa e aspirativa". Parece que tinha um nódulo simpático e a amostra excelente, tinha tudo para ter resultados claros.

Não foi o caso: atipia de significado indeterminado. 

 Seguiram-se consultas de Endocrinologia para analisar os resultados e a opção mais interessante era repetir a biópsia 3 meses depois, já com a convicção de que o caminho poderia ser a operação.

Repetiu-se a citologia e o resultado fora sensivelmente o mesmo. 

Com probabilidade de se estarem a desenvolver células cancerígenas, mais valia retirar a parte esquerda da tiroide (onde estava alojado o nódulo) a título preventivo. Outra opção seria o acompanhamento constante e estreito da evolução da situação, que a médio prazo teria como desfecho a primeira opção. 

Assim foi. Fui operada no dia de anos da minha mãe. Não fiz nada para isso,  mas fiquei contente com a coincidência. 

Questionários, análises e exames feitos. Entrada no hospital às14h30 para ser operada às 16h30. Pouco falhou e fui acompanhada por uma equipa muito descontraída, profissional e bem humorada, que contribuiu para que encarasse a intervenção de uma forma mais ligeira.

No inicio dos procedimentos, na sala de operações, mesmo calçada com as meias de compressão que me tinham fornecido, sentia o fresquinho do ambiente, senão quando começo a sentir ar quentinho nos pezinhos. Soube tão bem. Acho que é habitual, não querem que arrefeçamos. 

Lá adormeci e durante cerca de 1h30 trataram do retoque da minha tiroide. 

Fui para o recobro. Tinham-me dito que seriam cerca de 3 horas neste local, mas presumo que superei um bocadinho a média prevista. Acordei num autentico carrossel e estabilizar a cabeça... está quieto. Foi das piores sensações da minha vida e demorou a passar. Viram os meus níveis de cálcio. As paratiroides poderiam ter sido afetadas, mas felizmente estava tudo ok. Aumentaram-me os níveis de glicose no sangue e lá melhorou passado, o que me pareceu, uma eternidade.

Quando cheguei ao quarto seriam cerca de 22:40, ainda tonta, nem escrever no telemóvel conseguia. Benditas as mensagens de áudio ;)

Tinha um penso no pescoço, um dreno e a informação que a operação tinha corrido muito bem.

Fiquei com o dreno até às 18h do dia seguinte, tendo sido despejado umas 3 vezes. Em todas elas era registada a quantidade extraída. Retirarem o dreno não foi difícil, foi mais um alívio, tanto como o catecter da mão (detesto!!!)

Lá saí, mais estável, para a recuperação em casa. Antibiótico, brufen, paracetamol se necessário  e muito gelo!

Os dias foram passando, a ferida sarando e ainda continuo nesse processo. Não fiquei de cama, mas deambulo com cuidado, custa-me baixar a cabeça e não posso fazer esforços. Sinto algum desconforto ao engolir, se falo mais, fico com a voz mais frágil, uma ou outra quebra de tensão, mas vou recuperando.

Amanhã serei vista pelo Cirurgião e dentro de um mês pelo Endocrinologista que me irá informar do comportamento da tiroide que ficou e se precisarei de medicação.

 



 

Até haver novidades...

  

 

 

 

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